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CDH debaterá alto índice de assassinatos de jovens negros no Brasil

21/11/2018

A senadora Regina Sousa (PT-PI), presidente da CDH, com o senador Paulo Paim (PT-RS): comissão debaterá alta taxa de homicídios de negros  -  Edilson Rodrigues/Agência Senado

 

O alto índice de assassinatos de jovens negros no Brasil será tema de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Mais de 63 mil pessoas assinaram o manifesto "Jovem Negro Vivo" da Anistia Internacional, que motivou o debate.

Trinta mil jovens são mortos por ano no Brasil, 77% deles negros. A campanha “Jovem Negro Vivo” chama a atenção para essas e outras estatísticas da violência no Brasil, país que bateu recorde de assassinatos em 2016, com mais de 62 mil homicídios.

O abaixo-assinado da campanha recebeu 63.132 assinaturas e foi entregue à CDH nesta quarta-feira (21). O documento motivou o pedido da presidente da comissão, senadora Regina Sousa (PT-PI), para a realização de uma audiência pública para debater o problema e apontar soluções, inclusive no que diz respeito ao financiamento de ações de segurança pública.

— Que se debata a fundo esse assunto que vai subsidiar os projetos que já estão andando, inclusive o Plano Nacional de Segurança Pública que, por enquanto, é só um papel porque, se não se cria um Fundo Nacional de Segurança, nada dessas coisas que são ditas aí vão acontecer.

O debate, ainda sem data definida, deverá contar com representantes da Anistia Internacional, do Fundo das Nações Unidas pela Infância, Unicef; da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Unesco; e de outras entidades ligadas tanto à temática dos Direitos Humanos quanto da Segurança Pública.

Regina Sousa também quer convidar movimentos que dão voz às pessoas diretamente impactadas pela violência, como o “Mães de maio”, formado por mães de jovens mortos durante uma onda de assassinatos em São Paulo, no ano de 2006.

— As mães de maio têm de ser incluídas, que estão lá na Praça da Sé, reclamando o corpo de seus filhos negros, desaparecidos numa chacina, mortos numa chacina, mas que não têm corpo — afirmou.

Em março, o Senado aprovou o Plano Nacional de Enfrentamento ao Homicídio de Jovens (PLS 240/2016), uma das propostas que tiveram origem no trabalho da CPI que investigou o assunto entre os anos de 2015 e 2016. O projeto está pronto para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados.

Da Rádio Senado

Fonte: Agência Senado
21/11/2018

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